jornalismo de bolso

jornalismo móvel e colaborativo

Web 2.0 e você: tudo a ver

No princípio, eram os sinais de fumaça. Depois vieram os tambores, o telégrafo, o telefone, o rádio e a televisão. Cada um desses novos veículos, ao surgir, causou grandes mudanças na forma como os homens se comunicavam à distância. Mais tarde, surgiu o computador e na década de 60 o aparelho encontrou sua cara-metade: a internet. Com a popularização da dupla, que tomou força apenas em meados da década de 90, a comunicação remota entre dois ou mais seres humanos jamais mais voltaria a ser a mesma.

No início, era a simplesmente a internet, a rede mundial de computadores, provedores de acesso e servidores que permitia a comunicação entre pessoas a ela conectadas. Nos primeiros anos, a internet foi impulsionada principalmente pelo comércio eletrônico e marcada pela disponibilização unilateral de informações online. Durante essa primeira fase, a comunicação entre os usuários se dava fundamentalmente por meio de correio eletrônico, fóruns e listas de discussão, além de programas de chat, como IRC e salas de bate-papo. O foco era o internauta-consumidor: de produtos, de notícias, de informações.

A virada do século colocou um ponto final nesse modelo ‘unilateral’ de internet, que chegou ao fim com o estouro da bolha especulativa criada em torno dos sites e empresas pontocom. Porém, com cada vez mais usuários no mundo inteiro, a rede continuou crescendo e evoluindo e, após um período de pessimismo em relação a investimentos na web, começaram a aparecer gradualmente empreendedores que trouxeram novos olhares sobre a rede e suas possibilidades. A partir de então, a ênfase seria na internet como um local para participação, onde o ponto forte é o aproveitamento da inteligência coletiva.

Da internet simplesmente à simplicidade da Web 2.0

A transformação começou com a adaptação de tecnologias já conhecidas ou o surgimento de novas tecnologias que resultaram em ferramentas e interfaces fáceis de usar e mais convidativas ao usuário, principalmente no que diz respeito à publicação de conteúdo na rede e interação com o conteúdo publicado por outros. Embora já houvesse ferramentas similares e a colaboração já existisse nos fóruns de discussão, com o surgimento de ferramentas atraentes, como o Blogger em 1999, o internauta já não precisava entender de código ou programação para ter a sua própria página web, facilmente criada e atualizada sempre que ele desejasse, em apenas poucos cliques.

Entretanto, a principal mudança no decorrer dos anos desde a sua criação foi na mentalidade sobre como e para que a internet deveria ser usada, tanto por parte de desenvolvedores quanto de usuários. Mudança essa que se caracteriza por uma espécie de apropriação da rede por aqueles que a usam, enquanto os desenvolvedores se concentram na usabilidade de seus produtos e ferramentas. E mesmo quando determinado conteúdo não é gerado pelo usuário, este pode enriquecê-lo por meio de comentários ou ajudar na sua divulgação. O foco passou a ser o internauta-atuante: produtor de aplicativos, de notícias, de conteúdo. Com alcance cada vez maior, a internet passou a ser uma popular plataforma para a expressão dos usuários.

A empresa americana O’Reilly Media começou a usar o termo Web 2.0 em 2004 para diferenciar essa ‘nova fase da internet’, não sem controvérsias por parte daqueles que acusam a invenção do termo de ser uma jogada de marketing para inflar, mais uma vez, o mercado da internet. Seja o uso do termo Web 2.0 válido ou não, as palavras chaves dessa inegavelmente nova era online são interatividade, compartilhamento e colaboração. Essa nova fase é também marcada pela folksonomia – ou seja, a indexação de conteúdos comandada por aqueles que os usam, e também por conteúdos gerados e popularizados pelos usuários, além da formação de comunidades em torno desses conteúdos.

O verdadeiro veículo de comunicação de das massa massas

A formúla ferramentas + usuários foi tão bem sucedida que em 2006, logo após o explosivo crescimento do YouTube, a revista americana Time elegeu *você*, o protagonista central desse novo modelo de internet, em sua habitual escolha de personalidade do ano. Segundo o repórter Lev Grossman, o internauta mereceu o podium “por tomar posse dos reinos da mídia global, por criar e enquadrar a nova democracia digital, por trabalhar de graça e superar profissionais nos próprios setores deles”.

É a sinergia gerada pela interação entre usuários que faz com que sites como Wikipédia, MySpace, Facebook e flickr e o Twitter, algumas das faces dessa nova e revolucionária web, sejam sucessos de público. Em comum, eles apresentam características vão além muito além das tecnologias usadas, possibilitando o máximo possível de interatividade e interação entre os usuários em torno dos conteúdos que eles mesmos produzem.

A internet do século XXI é o verdadeiro veículo de comunicação ‘das massas’, e é o indivíduo quem o dirige: o poder está, talvez pela primeira vez na história das telecomunicações, na mão do usuário que não mais apenas navega, mas que toma o comando do leme.

Anúncios

Arquivado em:web 2.0, , , ,

One Response

  1. […] colegas antes do primeiro exercício do curso, mas depois que acabei a minha comparação entre a web 1.0 com a chamada web 2.0, fiz uma visita a alguns dos blogs do curso e escolhi os melhores trechos de cada um, na minha […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

“Jornalismo de mochila? Que coisa mais fora de moda. Minha redação é meu bolso.” (Clyde Bentley, Dezembro de 2006)

Páginas

Compartilhe!

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

microblogue

RSS #j20_M09

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.

RSS links no delicious

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.
%d blogueiros gostam disto: