jornalismo de bolso

jornalismo móvel e colaborativo

Cura do stress: se não está no google, não existe

Há muito tempo que não me estressava tanto fazendo uma busca na internet. Confesso que uso o Google – e apenas ele – praticamente desde que ouvi falar do motor há uns bons nove anos. Raramente procuro algo no Yahoo, e na maioria das vezes encontro o que preciso de maneira razoavelmente fácil no Google mesmo, embora sempre olhe muita coisa para além dos primeiros resultados.

Para esse exercício, o limite de análise era o conjunto das cinco primeiras sugestões (teoricamente as mais relevantes) de oito mecanismos de buscas diferentes. Praticamente todos eles trouxeram os mesmos resultados, sendo que dentre esses pouquíssima coisa poderia ser aproveitada na prática, tanto jornalística ou pessoal – o que me lembra que, segundo a crença popular do ciberespaço, se algo não está no Google, ele simplesmente não existe. Será que stress tem cura?

Fiz a busca pelo termo “cura do stress” no dia 13 de maio, entre aspas para peneirar mais os resultados, nos seguintes sites:

  1. Google: http://www.google.com.br
  2. Yahoo!: http://www.yahoo.com.br
  3. Altavista: http://www.altavista.com
  4. Radar Uol: http://radaruol.uol.com.br
  5. Clusty: http://clusty.com/
  6. MSN: http://search.msn.com.br
  7. Ask.com: http://search.ask.com/
  8. DogPile : http://www.dogpile.com/

O Google trouxe 1.170 páginas em português em apenas 0,4 segundos. O primeiro resultado é um post de novembro de 2005, onde o termo “Cura do stress” só aparece no título. Trata-se de uma crônica de Flavio Prada no blog Lixo Tipo Especial. O segundo resultado é um post em blog que tem como título Dicas Rápidas Para a Cura do Stress e cita um artigo da Revista Ladies Home Journal, assinado por Susan Swimmer e publicado em abril de 2008, que poderia ajudar ao leitor que lê inglês – mas como não seria teoricamente o caso, não verifiquei para saber se teria alguma relevância jornalística. O terceiro resultado é uma apresentação em powerpoint de um portal sobre higiene ocupacional e nela estava a “cura do stress”, de acordo com a professora Benilda Bezerra:

stress

O quarto resultado trouxe um blog de um aluno da turma anterior do mesmo curso de Jornalismo 2.0 do Centro Knight, publicado em março de 2009. E o quinto e último resultado foi uma pergunta postada no Yahoo!Respostas há dois anos, também irrelevante.

No Yahoo!Brasil consegui pouco menos de 600 resultados em 0,41 segundos. O primeiro foi idêntico ao primeiro resultado apontado pelo Google. O segundo foi um post publicado em 2005 em um blog chamado Pópulo, possivelmente de Portugal, que vale a pena olhar só pela imagem, mas a cura do stress não está lá. O terceiro resultado aponta para uma página de erro avisando que a entrada “Cura Do Stress” foi apagada em maio de 2009 (aparentemente era um vídeo que auxilia a aliviar o stress) e por pouco não a encontrei. O quarto resultado é de mais um blog de ex-aluno do curso concluindo que a cura do stress não está na rede. E o quinto mais um vídeo – ou seria o mesmo, postado em outro site?

O Altavista encontrou 597 resultados, sendo que os dois primeiros eram para a página Cura Do Stress no Vimeo, que leva ao filme apagado mencionado acima. O terceiro resultado também é um vídeo, dessa vez no Viddler. O quarto, um agregador automático de feeds aparentemente para posts que contenham a expressão “cura do stress”, mas é estranho perceber que todos os posts apresentados sejam em inglês. E por fim, novamente o mesmo vídeo, dessa vez postado no Mefeedia.

O Radar Uol apresentou mais ou menos alguns dos resultados acima dentre as 133 sugestões. O primeiro resultado foi o post com dicas rápidas para a cura do stress que apareceu como o segundo resultado do Google. O segundo foi o quarto resultado apontado pelo Google, ou seja, um blog do mesmo curso de Jornalismo 2.0, assim como o terceiro resultado (idêntico ao quarto mostrado pelo YahooBrasil). O quarto resultado é um agregador de vídeos chamado copernic, com mais do mesmo. O quinto resultado é o blog Pópulo, também já citado, que aparece em segundo na busca do Yahoo Brasil.

Usando pela primeira vez o Clusty, ele me trouxe 82 resultados para a “cura do stress”, alguns deles diferentes dos citados acima mas nada relevante. O primeiro é o site do Itaoca Pousada Camping, situado frente ao mar. O segundo vai para um site em inglês, na verdade, para uma mensagem de erro dizendo que a página não foi encontrada. O terceiro é outro agregador automático de feeds, que conseguiu ser mais irrelevante ainda. Outro agregador de feeds aparece em quarto, o mesmo na mesma posição do Altavista. Por fim, o mecanismo aponta para uma página que não existe mais.

A busca do msn trouxe 115 resultados e sugeriu que eu fizesse a busca em inglês para ver mais resultados. Foi então que percebi que a ferramenta esperta tinha sacado que estou fazendo a busca do Reino Unido e redirecionado a URL de http://search.msn.com.br para http://search.live.com/. Ou seja, o usuário não tem escolha. Acabei desistindo dele ao receber a mensagem abaixo, depois de pedir para filtrar resultados do Brasil apenas. Como a gente fala no twitter, #fail:

Nenhum resultado localizado para “cura do stress”.
Dicas de pesquisa:

* Verifique se as palavras estão escritas corretamente.
* Tente reformular palavras-chave ou usar sinônimos.
* Tente palavras-chave menos específicas.
* Torne suas consultas o mais concisas possível.

Outros recursos que podem ajudá-lo:

* Obtenha mais dicas de pesquisa visitando a Ajuda da Pesquisa na Web.
* Se não conseguir localizar uma página que você sabe que existe, envie-nos o endereço.

No Ask, o único resultado em português foi o primeiro, novamente o blog Lixo Tipo Especial que também apareceu em primeiro no Google. Sendo os outros quatro em inglês, desconsiderei todos.

O Dogpile, também novidade para mim, também trouxe quatro resultados em inglês e o mesmo blog acima em português, mas dessa vez na quarta sugestão.

Se essa busca fosse minha

Na hipótese de que se eu estivesse com a pauta sobre a cura do stress para tocar com pouco tempo de apuração e os mecanismos de busca fossem o meu ponto de partida (difícil), eu começaria a busca no Google Acadêmico com a palavra stress e a variante abrasileirada estresse apenas para localizar trabalhos e pesquisadores especialistas sobre o assunto e marcar entrevista. Em seguida faria buscas pelo nome das fontes que eu desejasse entrevistar, para achar o telefone ou e-mail. Se precisasse de personagens e o especialista em questão não tivesse nenhuma indicação, perguntaria no twitter se alguém conhece alguém que sofre seriamente de stress e/ou já precisou de tratamento e entraria em contato com essas pessoas para saber se elas encontraram a cura – ou não.

Anúncios

Arquivado em:J20_M09

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

“Jornalismo de mochila? Que coisa mais fora de moda. Minha redação é meu bolso.” (Clyde Bentley, Dezembro de 2006)

Páginas

Compartilhe!

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

microblogue

RSS #j20_M09

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.

RSS links no delicious

  • Ocorreu um erro. É provável que o feed esteja indisponível. Tente mais tarde.
%d blogueiros gostam disto: