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A arte da interação

Exposição interativa volta a Londres depois de quase 40 anos da estréia e desperta o mesmo interesse e entusiasmo na população

Exposição Bodymotionspacesthings na Turbine Hall do Tate, vista do alto. Foto: Paula Góes.

Exposição Bodymotionspacesthings na Turbine Hall do Tate, vista do alto. Foto: Paula Góes.

O matemático Luis Solorzano parecia um garotinho correndo para o parque de diversões ao sair do trabalho na noite da última sexta-feira. A caminho do Tate Modern, o museu de arte moderna de Londres, seus olhos brilhavam de entusiasmo: “quero subir naquela roda”, disse ele, “espero que eles deixem”. A roda a que ele se refere é uma das peças da histórica Bodymotionspacesthings (corpomoçãoespaçocoisas em tradução livre), uma instalação do artista americano Robert Morris que volta a ser exibida na Inglaterra quase 40 anos após sua estréia mundial em Londres.

Luis não teve permissão para subir na roda, mas achou uma parede para escalar. Foto: Paula Góes

Luis não teve permissão para subir na roda, mas achou uma parede para escalar. Foto: Paula Góes

A instalação montada na Turbine Hall do Tate é um convite aos visitantes a interagirem fisicamente com uma série de esculturas e elementos arquitetônicos. Em vez de apenas apreciar as obras de arte com os olhos, como de costume, o público só pode experienciar essa exposição em sua totalidade se perder e encontrar o próprio equilíbrio, arrastando-se, rolando e, principalmente, perdendo toda a inibição e voltando a ser criança. A tradutora Maria-Venetia Kyritsi destaca, em especial, a possibilidade de interagir com desconhecidos: “eu gosto de interagir com pessoas que não conheço, e esse tipo de exposição permite que a gente perca a vergonha de se aproximar de estranhos”.

“É uma oportunidade das pessoas se envolverem com o trabalho, tomando consciência de seus corpos, gravidade, esforços, fadiga, de seus corpos sob condições diferentes”, diz Roberto Morris, que é participante dos movimentos artísticos minimalista e land art, no folheto de apresentação da exposição. Ele explica que a idéia é fazer com que as pessoas tomem mais consciência delas mesmas e da própria experiência em relação à obra de arte.

Pedaço da história do Tate

Instalações interativas como essas não são nenhuma novidade no século XXI, mas há quarenta anos a mesma exposição causou grande frisson na capital inglesa. Montada pela primeira vez no Tate Gallery em 1971, a exposição atraiu grande atenção do público e da imprensa: era a primeira vez na história da arte mundial que uma galeria solicitava tamanha interação entre obra de arte e público.

Bodymotionspacesthings foi ainda, possivelmente, a exposição com a mais curta temporada d0s 122 anos de história do Tate. A versão anos 70 dela teve seu encerramento antecipado apenas quatro dias após a abertura, devido ao “comportamento exuberante e hiperexcitado de alguns membros da audiência”. Nos quatro dias em que esteve aberta ao público, 60 pessoas tiveram escoriações leves.

A versão 2009 é uma réplica da exposição original, atualizada de acordo com os padrões atuais de segurança, e a audiência – ou melhor, os participantes – são supervisionados durante toda a jornada de volta à infância. E, para a tristeza de Luis e decepção de Venetia, não é permitido escalar na roda nem pendurar-se na corda, por mais tentador que seja.

O feriadão

Uma vez por ano o Tate Modern aproveita o feriado bancário de início de primavera para fazer um festival artístico e cultural gratuito, o The Long Weekend. Na programação da edição de 2009, batizada de Do it Yourself – ou Faça Você Mesmo – constam ainda outras recriações famosas do movimento artístico italiano Arte Povera em filmes, performances musicais e teatrais ao longo do fim de semana até a segunda-feira, feriado bancário. A entrada é franca. Acesse a programação completa ou veja mais fotos tiradas para essa “repostagem”.

Um vídeo do TateShots, com música de Dom Mino (Schole Records, Japão) com direção de Lorrin Braddick e produção de Jared Schiller.


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Arquivado em:eventos, J20_M09, , , ,

7 Responses

  1. Muito legal Paula! Quando será que essa exposição vem pra Porto Alegre? Hehehehe

  2. Paula

    Sua matéria está interessantíssima. É muito bem escrita, clara e estimulante (até pelo assunto – eu adoro a Tate!!!). A utilização de links está ótima, diversa (eu não sei editar HTML…). As fotos incluídas na reportagem são boas (de um personagem) e a galeria complementa o trabalho.

    O vídeo de divulgação é fantástico, servindo como uma “entrada” num menu.

    Talvez fosse interessante ter em áudio ou vídeo o depoimento de alguém do público (mas esta observação é só para ser chato mesmo porque o material está excelente!).

    Ah, se tiver um tempinho, dê uma olhada na minha matéria (não sei usar tantos recursos da web como você, mas acho que ficou razoável). O endereço pode ser acessado pelo site do curso ou pelo http://www.rodrigopiscitelli3.blogspot.com.

    Abraços e parabéns!

    • Paula Góes disse:

      Oi, Rodrigo

      Obrigada pelos comentários!

      Na verdade, o vídeo não é meu (quem me dera!), é do Tate, como assinalei na legenda, se tivesse entrevistas seriam possivelmente em inglês, gostei dele ter só imagens.

      Eu tentei ousar e fazer um live broadcast, mas não deu muito certo por motivos que ainda desconheço. Algumas das entrevistas que fiz não foram ao ar, inclusive a do Luis, e com isso perdi as sonoras. Fica para a próxima, mas eis o link:

      http://www.flixwagon.com/paulagoes

      Vou ao teu blog agora e ensino a colocar links, é tão fácil!

  3. Thiago disse:

    Oi, Paula,

    Gostei muito da sua matéria, bem desenhada, com recursos legais e muitas informações bacanas. Nota 10.

    Senti falta apenas de uma coisa: sua presença na matéria. Sei que a encomenda do curso era um texto jornalístico, mas tendo a achar que, no weblog, é possível ter mais liberdade e se arriscar um pouco mais na forma de apresentar um assunto ao internauta. Engraçado, como leitor, fiquei curioso para saber mais sobre como foi o encontro com esse matemático, personagem da matéria, que parece uma figura. Ele até posou para uma foto!

    Mas, talvez, o que estou falando seja uma coisa de estilo, que é o jeito de cada um escrever, não é?

    Mais uma vez, parabéns!
    Um abraço,

    Thiago

    • Paula Góes disse:

      Oi Thiago!

      Muito obrigada pelos comentários!

      Eu estava pensando em fazer algo diferente, com um broadcast, mas não deu muito certo e perdi muitas das entrevistas, como a do Luis e as imagens de chegada ao Tate: http://www.flixwagon.com/paulagoes

      Fiz a produção para ir junto com os personagens – somos todos conhecidos e trabalhamos perto do Tate! No caminho, fui perguntando as expectativas da turma, e no final resvolvi ficar com Venetia e Luis, que é um casal.

      • Thiago Herdy disse:

        Oi, Paula,

        Pena que o broadcast não deu certo, mesmo assim, a matéria ficou bem legal!

        Legal também você ter acompanhado os personagens até o Tate. Como leitor, sempre gosto de saber um pouco mais sobre os bastidores das matérias. É uma coisa interessante para refletirmos como produtores de informação. Ultimamente tenho tentado colocar um pouco disso nos textos que escrevo para impresso (trabalho no jornal Estado de Minas, aqui em MG). Os editores mais antigos têm certa resistência, mas acho que eles estão errados. Na internet, é mais fácil emplacar coisas assim..

        Abs,

        Thiago

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