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Test drive rssOwl e Google Reader

Uma das duas tarefas dessa semana no curso de Jornalismo 2.0 do qual esse blog é um caderno de notas foi testar e comparar leitores de feeds. Para quem não conhece, o objetivo da ferramenta é ajudar o internauta a não se perder dentro do mar de informações que a internet oferece e a voltar facilmente àqueles sites e conteúdos que ele considerar relevantes. O exercício é testar por pelo menos três dias o funcionamento de um leitor que deve ser instalado no computador e o Google Reader, que é online, e fazer uma comparação entre os sistemas.

Os leitores de RSS/feeds funcionam ao mesmo tempo como filtro de informações e mecanismo de garimpagem, evitando que o usuário desperdice tempo procurando o conteúdo que lhe é necessário. Desde que a pessoa saiba a fonte desse conteúdo e essa fonte disponibilize o site em RSS, os leitores permitem que o usuário seja avisado em tempo real sempre que blogs e sites que ele peneirou previamente são atualizados.  É um processo parecido com a assinatura de jornais e revistas, mas para o ambiente online.

Nunca tinha usado um leitor que precisasse ser instalado no computador, então escolhi o RSSOowl, por nenhum motivo em especial além de ser o primeiro que encontrei que funcionasse bem com o sistema operacional do mac, para fazer o contraponto com o Google Reader. Como eu já sou usuária do Google Reader há pelo menos um ano e meio, desde que comecei a cobrir a blogosfera lusófona para o Global Voices Online, tentei explorar recursos da ferramenta que eu ainda não conhecia ou não usava.

Eis o resultado do meu teste drive:

Principais diferenças entre um e outo

A principal e mais evidente diferença é que o RSSOwl precisa ser instalado em um computador, equanto o Google Reader é um leitor online e portanto pode ser acessado de qualquer máquina conectada à internet, ou seja, é mais flexível e portátil. O Google reader permite interação e compartilhamento entre usuários, o que não é possível com o RSSOwl.

No mais, as funcionalidades básicas – como organização em pastas/exportar e importar feeds, destacar links que mereçam ser revisitados – são as mesmas. Nem um nem outro parecem oferecer um serviço offline que funcione bem e não requeira extra configurações.

Vantagens e as desvantagens de cada um deles

RSSOwl

Vantagens: Interface agradável com várias opções de customização e atalhos de teclado; apresenta opções para buscas mais específicas, como busca de palavras-chave apenas na manchete, por autor ou de acordo com a data de publicação; os resultados de busca também são bem organizados, o que deve poupar tempo; o sistema de abas por fonte dá mais uma opção de visualização ao usuário; além de pastas, é possível também agrupar o conteúdo de acordo com variáveis a critério do usuário, como data da publicação; é possível customizar  estiquetas e classificar informações de acordo com a relevância e urgência; o sistema de notificação quando um novo conteúdo chega, que pode ser customizado para exibir apenas alertas para determinadas fontes, é particularmente útil; é possível acessar determinados conteúdos em modo offline; o projeto conta com um blog com dicas sobre como tirar proveito máximo da ferramenta (em inglês).

Desvantagens: Ao baixar, ele vem pré-configurado com dúzias de feeds e o usuário desperdiça tempo apagando aqueles conteúdos que não interessam; o sistema de marcador é interessante, mas achei demasiadamente chamativo, e acaba distraindo num primeiro momento; não parece ser possível marcar todos os itens como lidos de uma vez só, tive que ir pasta por pasta; portabilidade e compartilhamento zero.

Google Reader

Vantagens: Além do recurso de compartilhamento de feeds e notas entre usuários do sistema já descrito acima, o que amplifica a sua rede; pode ser acessado de qualquer computador, celular e também offline desde que configurado em conjunto com um provedor de e-mail, como o outlook; pode ser configurado como leitor padrão no navegador (menos cliques para o usuário cadastrar os feeds de sua escolha); é possível integrar com outros produtos do Google, como o iGoogle;

Desvantagens: Não há alertas de novas mensagens; poucas opções de customização da interface e opções de leitura; a versão offline só funciona enquanto o computador for desconectado, mas continue ligado (achei que as mensagens seriam salvas e poderiam ser vistas em qualquer ocasião. Poucas opções de customização.

Utilidade para o meu trabalho

Meu trabalho seria incrivelmente mais difícil ou até impossível se eu não usasse leitores de RSS, já que cubro essencialmente os assuntos que blogs e outros veículos de mídia cidadã estão discutindo para o Global Voices Online. O recurso de compartilhamento de links do Google Reader é também muito útil, pois assim tenho acesso a conteúdos que colegas acham relevantes mas que não estão necessariamente dentro de minhas rotinas de leituras. Leitores de RSS, no entanto, são apenas mais uma ferramenta que funciona bem dentro de um conjunto de recursos, mas que sozinho não serve para muita coisa.

Conclusão:

Seja usando um leitor de RSS offline ou online, se o usuário não uma boa peneiragem inicial para detectar feeds de sites relevantes, o usuário acabará soterrado por uma avalanche de informações que não conseguirá aborver. Usar a ferramenta com moderação, por outro lado, fará com que o usuário tenha acesso rápido às informações  e fontes que considere relevantes para as suas rotinas de produção.

No No meu caso, eu costumo me sentir angustiada quando não consigo acompanhar tudo o que se passa nos meus feeds. Isso mostra que é hora de aprender a separar mais o joio do trigo e ser mais seletiva quanto aos feeds que guardo para aproveitar todo o potencial da ferramenta. E de começar a me conformar com o fato de que não é possível ler todos os blogues do mundo. As palavras do professor Carlos Castilho, em nosso fórum de discussão, ilustram bem essa situação:

A Web é como um supermercado. Você não pode levar tudo porque não terá tempo para digerir toda a informação e também porque levará muita coisa inútil. Nos supermrcados a gente já sabe que o montante dos gastos está na medida de nosso saldo bancário. Na Web nós ainda estamos aprendendo qual é o nosso limite.

Depois do exercício, sei que preciso fazer uma limpeza geral do meu leitor, eliminando aqueles feeds que nunca me trouxeram informações relevantes. Preciso avaliar mais o conteúdo superficialmente antes de embarcar na leitura e marcar o resto tudo como lido (se bem que há manchetes que enganam). Stress. Mas esse é assunto para um outro exercício.

Como em tudo na vida, é preciso pensar em qualidade e não em quantidade. Ou seja, parodiando aquele comercial que ouço sempre no rádio, “leitor de rss, use-o a seu favor”.

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“Jornalismo de mochila? Que coisa mais fora de moda. Minha redação é meu bolso.” (Clyde Bentley, Dezembro de 2006)

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