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Global Voices e o Futuro do Jornalismo

Esse é o tema da palestra que Lokman Tsui ministrará no Centro Berkmen nessa terça, 2 de junho de 2009. Haverá um webcast ao vivo no dia, às 12h30 ET (*acho* que é 16h30 horário de Brasília). É grátis, e será em inglês. Eis a apresentação da palestra:

Este projeto pretende nos ajudar a compreender as culturas, práticas e pessoas de um novo tipo de ambiente de produção de notíciaa: o Global Voices, um projeto internacional que congrega e traduz blogs e informações da mídia cidadã de todo o mundo, a fim de, “agregar, selecionar e amplificar a conversação global online – iluminando locais e pessoal que outras mídias geralmente ignoram”.

Tomando o Global Voices como um modelo, defendo que devemos ultrapassar a objetividade em direção à “hospitalidade” para alcançar o potencial do jornalismo em uma rede mundial. Roger Silverstone define hospitalidade como a “obrigação ética de ouvir”. De fato, em um mundo onde a Internet torna muito mais fácil para que todos falem, o Global Voices nos pergunta: “O mundo está falando. Você está ouvindo?”. O que está em jogo, em última instância, é talvez melhor descrito por Silverstone, que afirma que “apenas através do atendimento às realidades da comunicação global, mas também, e ainda mais, às suas possibilidades, que seremos capazes de reverter o que caso contrário será uma espiral descendente no sentido de incompreensão e desumanidade global cada vez maiores. “

O Global Voices nos mostra que prestaríamos um desserviço se limitássemos a nossa imaginação para o tipo ideal de jornalismo de uma era passada. Sem expandir a nossa imaginação, não podemos ter a esperança de perceber como a internet pode melhorar os limites da relação entre jornalismo e democracia. Na verdade, o professor de comunicação James Carey nos ajudou a compreender que “o significado de democracia muda ao longo do tempo porque as formas de comunicação através das quais conduzimos políticas mudam”.


Lokman também bloga sobre o assunto aqui. Leia um pouco mais sobre Roger Silverstone no Observatório de Imprensa.

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Arquivado em:jornalismo cidadão, previsões

Chuvas em Salvador e o papel do jornalismo cidadão

via emerluis.wordpress.com / A foto é do usuário do twitter @danielvbo

Lembro que quando estava fazendo a cobertura da enchente em Santa Catarina no ano passado para o Global Voices Online, tive uma clara visão da forma distinta como a imprensa tradicional estava cobrindo o flagelo. Primeiro, demorou para entrar em ação, como se avaliando se a pauta “rendia” notícia nacional, e quando entrou, trouxe a linguagem do sensacionalismo – com direito a celebridade-repórter chegando de helicóptero e frases glamorizando o trabalho dos bombeiros, como “que bela cena aquele desastre”.

Os blogs, por outro lado, estavam fazendo um bom trabalho de cobertura dos fatos e prestando um grande serviço à população. Muitos foram criados exatamente com essa finalidade, e com atualizações constantes, blogueiros postavam notícias, divulgavam nomes de pessoas desaparecidas e encontradas, abrigos, arrecadavam fundos, donativos e organizavam voluntários, além de postar fotos e vídeos enviados por internautas.

Hoje chove cântaros na minha Salvador, e ao que parece, a história se repete. Para Emerson Luis, do blog Nas Retinas, é o conservadorismo que impede que o jornalismo preste a devida prestação de serviços que a população precisa nesse momento. Para ele, “as redes sociais tem mais preocupação com o cidadão do que o jornalista ávido pela notícia para alimentar seu departamento comercial”:

“O jornalismo travado, que ignora as informações do cidadão comum, só conseguiu dar um panorama da situação por volta das 12h00 de hoje. Enquanto isso, no Twitter, os moradores da cidade alertavam sobre os pontos de alagamento, acidentes, escolas inundadas e sobre o desabamento de parte do teto do Outback no Shopping Iguatemi desde às 9h00 da manhã.

Para saber sobre a situação da cidade entre em search.twitter.com com tag Salvador

A todo instante a página retorna com informações e fotos das pessoas via Twitpic, e só apertar refresh.

A cegueira do jornalismo conservador não afeta somente a agilidade de informar, mas impede mais uma vez que as vias de informação alternativas, com o olho do cidadão, possam fazer diferença em um momento de crise. É o medo, como sempre, de deixar de ser o pilar da opinião e a mola propulsora da informação.”

E de longe, é pelo twitter que tenho acompanhado as notícias. Aliás, foi por lá que fiquei sabendo do que se passa – e olha que nem sigo tanta gente da Bahia assim. Alguns momentos, agorinha:

veramartins: Há telejornalismo em Salvador? Fora as janelas dos telejornais, parecia td normal. Na Band, entrev. c/ Bruna Surfistinha.. #chuvas #salvador
emerluis: Os portais não estão informando nada sobre a situação de #salvador com as chuvas. Acompanhem no Twiiter Search com a tag #salvador
SussuaranaCom: Parte do teto do Shopping Iguatemi desaba em Salvador devido as chuvas.

Atualização 21:10/17:10 (horários de Londres/Brasil)

Enquanto a movimentação no twitter acontece desde de cedo, a Folha de São Paulo deu a notícia em manchete às 16:02 (horário do Brasil). Fiquei sabendo disso pelo twitter de @emiliomoreno pouco depois de ter publicado esse post

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“Jornalismo de mochila? Que coisa mais fora de moda. Minha redação é meu bolso.” (Clyde Bentley, Dezembro de 2006)

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